Abdon Barretto Filho – Economista e Mestre em Comunicação Social
Os fundamentos da Economia não podem ser esquecidos. Para os empreendedores, empresários, gestores, entre outros produtores de bens e/ou serviços, três questões básicas e essenciais precisam de respostas antes de entrarem nos mercados competitivos: produzir o quê, quanto, como e para quem. Na Economia do Turismo, essas perguntas tornam-se ainda mais relevantes porque uma característica do produto turístico é a sua imobilidade, obrigando o deslocamento até local onde é produzido. Os Destinos possuem aspectos geográficos, históricos, culturais, equipamentos e serviços capazes de atraírem visitantes de acordo com a estruturação de forma profissional e mercadológica. Além da estruturação da oferta, o planejamento deve incluir os estudos da Demanda turística, incluindo a capacidade de suportar fluxos de visitantes, avaliando as instabilidades dos comportamentos dos consumidores. Ofertar mais hotéis, restaurantes, passeios, eventos e experiências sem compreender o mercado pode gerar excesso de capacidade, redução de preço, aumento da concorrência e comprometimento da rentabilidade. Sabe-se que nas experiências no mercado turístico, nunca foi tão fácil criar e lançar produtos turísticos, assim como, vender nunca foi tão difícil. As opções dos criadores e operadores de conteúdos e as estruturações de ofertas produzem bens e/ou serviços nunca imaginados. Existem infinitas opções para quem tem tempo livre, interesse na oferta turística e recursos financeiros disponíveis em transformar o sonho de viajar em realidade. Entretanto, de acordo com as mais diversas opções ofertadas no mercado do turismo e da hospitalidade, os resultados continuam sendo liderados pelos tradicionais destinos. Alguns deles foram estruturados há séculos e até hoje atraem visitantes atingindo diversas opções de consumidores de diferentes gerações. A Economia do Turismo atravessa um cenário marcado por uma contradição cada vez mais evidente: a oferta maior que a demanda. Vender de forma sustentável e rentável é um grande desafio. A expansão das tecnologias digitais, das plataformas de reservas, das redes sociais e dos novos modelos de negócios democratizaram os acessos aos mercados turísticos. Hoje, praticamente qualquer Destino turístico, empreendimento ou prestador de serviço pode apresentar sua oferta aos consumidores das mais diversas gerações, residentes locais ou no resto do mundo. Entretanto, ampliar a Oferta não significa, necessariamente, ampliar a Demanda. Quando a Oferta turística é maior que a Demanda, instala-se uma disputa pela atenção e pelo orçamento do turista. O consumidor passa a ter mais opções e maior poder de escolha, enquanto as empresas enfrentam maior dificuldade para diferenciar seus produtos. Nesse contexto, simplesmente aumentar a quantidade de oferta pode ser uma estratégia equivocada. O desafio passa a ser compreender profundamente quem é o turista, o que ele valoriza, quanto está disposto a pagar e quais experiências realmente deseja consumir. É ingenuidade imaginar que ao criar rotas e roteiros possam ser aceitos no mercado e comercializados. Será ? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.
