As ameaças reais das utilizações excessivas das telas digitais

Abdon Barretto Filho – Economista e Mestre em Comunicação Social

No livro Fábrica de Cretinos Digitais,o neurocientista Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, propõe a primeira síntese de vários estudos que confirmaram os perigos reais das telas digitais  e nos alerta para as graves consequências de continuarmos a promover sem senso crítico o uso dessas tecnologias. No seu livro, apresenta conclusões firmes e sustentadas por estudos científicos sobre os efeitos do uso excessivo de telas digitais (ecrãs)no desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes. Convém salientar que ecrã (ou ecran) é a superfície, tela ou monitor utilizado para visualizar informações, imagens e vídeos em dispositivos eletrônicos como computadores, smartphones e televisores. Originário do francês écran, é o termo preferencial em Portugal, enquanto “tela” é mais comum no Brasil para descrever o visor de dispositivos e monitores .A principal conclusão do autor é que a exposição intensa e precoce às tecnologias digitais não melhora a inteligência nem o desempenho cognitivo, contrariando o discurso comum de que as novas gerações são mais “avançadas” por crescerem rodeadas de tecnologia. Desmurget demonstra que o tempo excessivo em frente a telas digitais (ecrãs) é prejudicial à saúde física e mental. Segundo a pesquisa, o excesso em frente à tela está associado a uma diminuição do QI médio, especialmente devido à redução de atividades fundamentais para o desenvolvimento cerebral, como a leitura, o brincar livre, a interação social presencial e o sono de qualidade.   O autor sublinha que o cérebro infantil necessita de estímulos ricos, variados e humanos para se desenvolver plenamente, algo que os conteúdos digitais, geralmente passivos e fragmentados, não conseguem oferecer de forma adequada. Outra conclusão central do livro é o impacto negativo na linguagem e na atenção. Crianças expostas a muitas horas em frente à  tela digital tendem a apresentar vocabulário mais limitado, menor capacidade de concentração e dificuldades na memória de trabalho. Estes fatores comprometem a aprendizagem escolar e o pensamento crítico, competências essenciais para a vida adulta.O autor também alerta para os efeitos indiretos do uso excessivo das tecnologias, como o sedentarismo, a perturbação do sono e o aumento de comportamentos impulsivos. Segundo Desmurget, estes problemas agravam ainda mais o desempenho cognitivo e emocional. Importa salientar que o livro não defende a rejeição total da tecnologia, mas sim um uso consciente, moderado e adaptado à idade. Por fim, Fábrica de Cretinos Digitais conclui que a responsabilidade recai sobretudo sobre os adultos, pais, educadores e decisores políticos, que devem proteger as crianças de uma exposição precoce e desregulada aos ecrãs. A obra é um apelo claro à reflexão e à ação, defendendo que o futuro intelectual das novas gerações depende das escolhas feitas no presente. Os excessos digitais prejudicam o desenvolvimento de crianças e estudantes, acarreta sérios malefícios à saúde do corpo (obesidade, problemas cardiovasculares, expectativa de vida reduzida), ao estado emocional (agressividade, depressão, comportamentos de risco). Até poderia  influenciar o interesse pelas  viagens e turismo. O resultado é a redução inédita do QI da nova geração, interrompendo a evolução geracional. É uma alerta. Estamos emburrecendo ? Será ? Respeitam-se todas as opiniões contrárias. São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.

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Abdon Barretto Filho

Economista e Mestre em Comunicação Social. Especializado em Economia, Comunicação e Marketing aplicados às Cidades ( City Marketing),Empresas e Entidades, destacando-se Eventos, Hotelaria, Hospitalidade e o Turismo. Consultor, Conferencista, Conselheiro, Diretor, Escritor, Colaborador em Veículos de Comunicação

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Abdon Barretto Filho
Economista e Mestre em Comunicação Social.

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