Abdon Barretto Filho – Economista e Mestre em Comunicação Social
Os eventos presenciais evoluíram de feiras de comércio de subsistência na Idade Média para ecossistemas altamente tecnológicos e estratégicos no mercado atual. Desde a sua origem, o foco central permaneceu o mesmo: reunir pessoas para trocar bens e/ou serviços, culturais e conhecimentos. Na realidade, é o encontro entre compradores e vendedores. Talvez, a maior estratégia comercial identificada nos antecedentes da histórica econômica, a saber: 1. Na Idade Média: o nascimento das Grandes Feiras com os eventos presenciais essencialmente comerciais e religiosos. Surgiram as Feiras Medievais ao redor de rotas comerciais, castelos e catedrais. Evoluíram a partir de mercados agrícolas e pecuários locais, tornando-se o principal entreposto comercial entre os comerciantes do Mediterrâneo. Eram o único ponto de encontro físico onde mercadores de diferentes regiões para trocaram tecidos, especiarias e ferramentas. Os reis concediam “ salvo-conduto” aos mercadores, criando as primeiras regras de comércio internacional. Os eventos aconteciam em datas fixas, geralmente ligadas a festividades religiosas, ditando o ritmo da economia local. 2. Durante a Revolução Industrial surgiram as Grandes Exposições Universais: Com a industrialização nos séculos XVIII e XIX, os eventos mudaram de escala e de propósito. Em 1851,a Grande Exposição de Londres, no Palácio de Cristal, inaugurou era dos megaeventos focados em inovação. O objetivo central deixou de ser apenas a venda direta e passou a ser demonstração de poder tecnológico e industrial ( exibição de máquinas a vapor, eletricidade, etc). As empresas usavam os eventos para fechar contratos de exportação em massa e abrir mercados internacionais.3. O Século XX é a Era dos Centros de Convenções e Feiras Setoriais: Após as Guerras Mundiais, o mercado de eventos se profissionalizou e se segmentou, com setores específicos ( automotivo, tecnologia, medicina, calçados, entre outros). Aumentaram os investimentos em infraestrutura dedicada com cidades construindo grandes centros de convenções, inclusive em hotéis, e com transporte integrado, principalmente aéreo. O Turismo de Negócios foi ampliado. O setor MICE ( Meetings, Incentives, Conferences and Exchibitions consolidou-se como o pilar econômico global incluindo padrões internacionais para captações e organizações de eventos. 4.No Século XXI, as experiências, os dados e a Tecnologia aplicada: Hoje, os eventos presenciais não servem apenas para transações comerciais, incluem o engajamento profundo com as marcas e suas produções de bens e/ou serviços. É a Economia da Experiência, com foco na imersão, no relacionamento qualificado ( networking ), em palcos e cenários visuais para compartilhamentos em redes sociais. Os avanços tecnológicos são utilizados, incluindo monitoramento do comportamento do visitante, mapeando as preferências reveladas por produtos em tempo real. Naturalmente, o fortalecimento do modelo híbrido ( “Figital”), respeitando as opções geracionais e ampliando as vendas e a distribuição além da barreira geográfica do local da feira. O fenômeno turístico utiliza estratégias semelhantes em todo o mundo. Afinal, existem profissionais capacitados na oferta e na demanda. Será ? Respeitam-se todas opiniões contrárias. São reflexões. Pensem nisso.
